quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Só você



Queria você aqui,
Você que me ouve mesmo quando não digo nada.
Você mesmo! Que me faz cócegas com as pontas do dedos,
Só para me ver sorrir.
Você que faz cara de boba quando eu fico bravo.
Você que quando eu falo demais,
Cala-me a boca com um beijo lento e demorado.
Queria dormir contigo hoje,
Para poder me sentir quente,
Sem precisar de cobertor.
Para poder acordar com seu cheiro,
E guardá-lo no bolso para o resto do dia.
Queria tomar banho junto a ti,
Para quem sabe então, me sentir limpo de novo.
Com a alma serena.
Quero só você,
Minha pequena.
Só você...
 _________________________________________________________________
 Bom, é isso que eu quero para 2011. Muito amor. Espero que tudo que vocês quiserem se realizem, e que não só o ano mude. Tudo de bom pra vocês queridos(as) leitores(as).
FELIZ 2011

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Sonhos não realizados

Aquela maldita esperança.
De que com o ano novo,
Tudo vai mudar pra melhor.
Fica sempre na lembrança.

Nada acontece se tu não mudares.
O ano muda,
Certo!
Mas ele muda só, muitas vezes.

Por ora esquecemos de mudar como um todo.
E no momento crucial,
Falhamos e o ano se passa mais uma vez.
Não temos somente que o deixar passar, temos que passar por ele.

Os desejos que se foram vão ficando calados.
E os momentos falhos, eternizados.
Temos que mudar mais,
E deixar o passado, pra trás.

Texto para o Bloinquês.

Então é Natal

Então, nesse clima tão bonito de Natal. Um clima que consegue juntar todos nós em torno de um objetivo em comum: Festejar, nada melhor para falar do que: Cachorros.



" Inúmeras são as vezes que eu chego em casa cansado, sem nada para falar, apenas querendo ficar parado e olhando o tempo passar. Até que meus cachorros chegam, encostam as suas cabecinhas em meu joelho como se soubessem tudo o que se passa em minha vida. Ficam ali, parados, por quanto tempo eu considerar necessário, a não ser que alguém lhes ofereça comida em um lugar diferente, assumo. Eles vivem no regime da ração mas, todos da casa não resistem aos seus olhares e sempre oferecem um pedaço de carne, bolachas, biscoitos e por aí vai. Esqueci de citar também a festa que fazem quando qualquer membro da família chega. Eles pulam, rodopiam, latem, uivam e até mesmo mordem os nossos calcanhares. É uma recepção que já nos traz alegria. É lindo vê-los correndo pela casa, correr com eles e, principalmente, saber que sempre vão estar ali. Com essa alegria, vontade e respeito. Sim, eles respeitam os nossos sentimentos até mais do que as pessoas que costumamos ver. Os cachorros, pelo menos os meus, me conhecem mais do que muitos amigos. Eles compreendem a alma e respeitam isso. Se estou triste, eles se aquietam e me acompanham. Já quando estou alegre lá estão eles me acompanhando pulando, latindo e sorridentes. É maravilhoso ter essa oportunidade, de contar tudo pra eles, de viver com eles e de compartilhar minhas alegrias e tristezas com os meus, sem dúvidas, melhores amigos. Esses dias me peguei vendo o filme "Marley & me" e não posso dizer o quanto que eu chorei. Me senti na pele de John ao perder o seu melhor amigo. Um amigo que fazia parte da família. Quantos cachorros eu já tive que se foram? Não sei dizer. O quanto eu chorei com a morte de cada um deles? Muito! Mais do que conseguem imaginar. Minha vida sempre foi e sempre será rodeada por essas criaturinhas ambulantes de quatro patas. E eles sempre serão os meus melhores amigos. Até porque, os cachorros não precisam de status, dinheiro e nem nada de abusivo para serem seus amigos. Eles simplesmente estão ali, na porta de casa, sempre um pouco antes de você chegar. E, sempre vão estar. Esses são os cachorros. "

Feliz Natal a todos os meus queridos(as) leitores,
Rafael C. Cotrim.

Obrigado à Gabriela Marques pelo selo que ela me indicou no seu blog

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Chuvoso

 
 
Sempre que chove me sinto assim,
Num domingo tranquilo.
Lembrando disso e daquilo.
Sem nada a fazer,
A não ser lembrar de você.
De nós.
Fico saudoso e dengoso
Com vontade de deitar e de amar.
Cantar e escrever.
Me torna sereno,
E faz qualquer dia parecer pequeno.
Adoro ver o céu chorar,
Para que chovam em mim esses sentimentos.
Momentos...

domingo, 5 de dezembro de 2010

Seja-se

 
Seja só seu.
Aproprie-se de si.
Chega de viver se preocupando com os outros,
Com o que esperam de você.
Apenas esqueça.
Olhe dentro da tua própria cabeça,
Busque-te.
Encare-se.
Seja-se.
E então,
Sorria sozinho de fronte ao espelho.
E caminhe de cabeça erguida pela rua,
Você merece.
Você tem que merecer.

sábado, 27 de novembro de 2010

Anjos


Anjos não são seres extraordinários,
Eles estão entre nós.
Basta encontrar o sorriso que te ilumine,
A mão que te erga,
Ou o beijo que, sempre, te aguarda.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

[Rel]Atividade


O que se fala
Quase nunca é o que se faz.

Um faz-de-conta,
Que todos contam,
E poucos fazem.

A relatividade da vida é evidenciada
A cada estrada seguida.
Seja essa estrada a entrada,
Seja essa estrada a saída.

Siga por onde o destino não aponta,
Fale com as árvores e seja como os pássaros.
Seja verde, azul e vermelho.
Mude de cor novamente.
Não fale,
Faça.
Mude!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010


Posso passar por mil tempestades amorosas,
Me apaixonar em um dia,
E esquecer em um segundo,
Não sinto nada.
Não consigo sentir falta
Nada me causa dor.
Só percebo o espaço em branco,
O vazio
E a solidão.
E isso é o que me faz
O que me mantém.
Só.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Voar Juntos


Deixa-me fluir em ti.
Quero ser teu.
Só teu.
Quero sorrir contigo.
Andar na praia de mãos dadas,
Fazer-te sentir ciúmes com as antigas namoradas.
Prometer-lhe as coisas mais românticas e apaixonadas.
Ver em ti o reflexo de minh'alma.
Poder sentir, sem ter que pedir, calma.
Apenas,
Trocar vibrações com olhares.
E não adianta nada tu me falares
Que não quer que eu vá
Porque eu:
Só quero
Que juntos possamos flutuar,
Só quero
Que tu deixes-me te amar.

sábado, 23 de outubro de 2010

Satisfação poética

O poeta que se satisfaz com suas próprias poesias.
Pode ser tudo
Menos poeta.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Inspiração



Quero ter motivos para viver,

Quero ter poemas para escrever.
Não sei viver bem sem a poesia,
É como tirar da criança a alegria.
Quero conhecer novos textos,
E no dia-a-dia novos conceitos.
É a difícil vida de um escritor,
Que para escrever só precisa de amor.

sábado, 16 de outubro de 2010

Amor com liberdade



Não me julgue,


Não tente me entender completamente,

Apenas deixe-me te conquistar.

Te envolver em mim.

E quando formos um só,

Eu te deixo ir,

Na certeza de que não vai partir.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Realmente difícil




As coisas vão, e vão.

Nada muda, só se acumula.
A vontade de ser não mais é.
E a vontade de viver não mais tem.


É triste a vida em todos os momentos,
Até mesmo nos bons.
Mas é nessa tristeza que ainda acha forças pra tentar.
Tentar ser melhor e conseguir se afirmar.


Nada muito fácil,

Que se faça sem perdas.
Mas algo que tem que se encarar,

Para conseguir, por isso, passar.

Não sei se é possível,
E não sei o que fazer.
É muito chato, não mais, querer ser.
Ainda mais que ser parece, perfeitamente, impossível.

sábado, 25 de setembro de 2010

Intensidade

O tempo passa rápido demais,
Muito mais rápido do que tempos atrás.

Não podemos perder tempo com amores falsos,
Temos que correr na areia sempre descalços.

Precavidos de qualquer erro futuro,
Sem ter medo de ficar a sós no escuro.

Devemos amar alguém com toda intensidade,
Indepente da dor que isso nos traga, da dificuldade.

Temos que sentir tudo que passa por nós,
Mesmo no meio da multidão, ou com aquela pessoa a sós.

Não podemos temer o passado,
E muito menos aguentar a desaforos calado.

Devemos ser o que somos.
Expressar o que sentimos.

Dizer a verdade.
E aproveitar, completa e totalmente, a liberdade.

Viva com intensidade,
Com vontade!

domingo, 19 de setembro de 2010

Mágica de Sonhar



Texto que eu mesmo escrevi, voz que eu mesmo gravei.
Vejam, reflitam.

Abraços,
Queridos leitores(as).

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Falta de alguém




O frio que me encobre inteiro,

Não mais de dentro vem.
É como algo passageiro,
Que só se passa por quem não tem ninguém.


Sentir-se só e abraçar-se à noite,
Passar dias se castigando sem nada fazer

Como se fosse chicoteado por um açoite

É o mínimo que pode acontecer.

Não me culpo pela falta de alguém,
Mas sim ao coração

Que não se dá com ninguém.


Sentir-se só pra mim não é a melhor condição

Mas não há nada a fazer
Com essa, maldita, falta de opção.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Rotina




Vivo sem cometer os erros do passado.
Refazendo as rotinas de hoje
E melhorando os planos de amanhã.

Porque a vida é um plano que nunca acabamos.
Por mais que a gente tente,
Sempre haverão coisas a serem feitas.

Devemos aproveitar essas coisas,
E transformá-las em ideiais,
Objetivos.

Caso contrário a mesmice toma posse,
E nada é interessante quando se repete,
Gostamos do novo.

Gostamos de ver o que não vimos.
Sentir o que não sentimos,
E, principalmente, provar os inúmeros gostos da vida.

Por mais doces ou amargos que sejam,
Queremos provar.
Sentimos necessidade de sentir.

E essa necessidade,
Às vezes provoca,
Noutras atinge.

Precisamos sentir isso,
A vontade.
Pra que a rotina fique na saudade.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Errar é fundamental



O medo de errar que toma conta da cabeça de tantos,

Já passou por aqui, e agora longe está.

Muitos acham que errar é algo insuportável,

E até mesmo, imperdoável.
Mas, eu erro com orgulho,

Com satisfação,

E, principalmente, com a certeza de que vou melhorar.

O amor errado, nos ensina a amar.

O exercício mal elaborado, nos mostra como consertar.

O erro do passado nos faz, no futuro, acertar.

Por isso eu sei que,
Ninguém devia se arrepender de cometer enganos,

Ou estragar os planos.
Com o erro tudo se torna melhor, depois.

E se tem algo bom na vida, é investir no que há de vir,
No amanhã.

Temos que aprender a se levantar sem olhar pro chão,

Levantar com toda a vontade e determinação.

Nada é complicado,

Tudo só precisa ser, realmente, almejado.

Tenha o erro como parte, fundamental, da vida.

E aí então, serás feliz.

Pois quem se dá bem com os erros,

Se dá melhor com os acertos.
Eu só espero que a sua vida não seja em vão.
Um poço profundo de lamentação.
Tenha isso como uma dica,
Uma lição.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Alma



A alma é incompatível com o gosto.

Foi tudo, anteriormente, proposto.


Ou vivo por quem morre por mim,
Ou posso viver sozinho até o fim.


Não vale a pena se perder de amor,

Desde que não tenha que se perder para amar.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Amor: Definição I




Sem chorar ou se submeter a riscos é impossível amar.

É preciso mais do que vontade.
Muito mais do que só isso.

Amar é quase uma predestinação.

É entrega imediata, repentina e contínua.

É um processo espiritual,

Se ousar tentar fazer que seja físico,
Não dá certo.
Amor não é paixão,
Seria muito fácil.

Se entregar a qualquer desejo,
E não dar tanto valor ao beijo.

Amor é algo racional,

Que não acontece com todos no mundo,
E ponto final.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Retrocedendo


O livro tá cada vez mais barato,
E o Google cada vez mais popular.
Avanço?
Retrocesso?
Muito o que se discutir.
Enquanto isso vou seguindo com meu post n° 100.

Leiam o último post, é o 4° capítulo do conto "Bailando na Noite".

Beijos e/ou abraços,
Caros leitores.


Rafael Cotrim.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Bailando na Noite - 4. O hospital

Caso não tenha lido os capítulos anteriores aí vão os links:

1.A vida é dura

2. Ex-família

3. Evasiva

4. O hospital

Horas se passaram durante os trinta minutos prometidos e Marcos já não agüentava mais esperar. Seus olhos estavam vermelhos, cor de sangue, e suas mãos pressionavam tanto contra a própria pele que já havia se tornado um ferimento. Cada médico que passava se tornava uma angústia a mais. E o pior era quando pensava que ele tinha sido o culpado, que ele provocara a briga. O sentimento de culpa era completo e intenso. Machucava-lhe profundamente.

Finalmente apareceu um médico com rosto semelhante, rosto que ele havia visto a trinta minutos atrás. O desespero tomou conta de novo. Marcos se levantou e estendeu a mão para o Dr. Fábio - estava escrito no crachá – enquanto ele falava:

– O senhor pode ficar no quarto agora. Apenas peço que seja delicado com a sua esposa. – Logo ele que fora sempre delicado e sutil. Ter que ouvir isso após um erro seu, faz com que a dor volte lenta e forte. - O ombro e braço esquerdo estão completamente engessados. Pelo visto, infelizmente, ela não mais poderá movimentar o braço esquerdo. – MEU DEUS, o que eu fiz?! Massacrou a sua consciência com isso. – A enfermeira vai te acompanhar até o quarto dela. Qualquer problema aperte o botão vermelho ao lado da mesa. Já fizemos tudo que tinha que ser feito por enquanto, só podemos esperar.

Outro aperto de mão e passos longos e frios em direção à enfermeira. Provavelmente ela o cumprimentou, mas ele estava tão triste, tão culpado que só poderia pensar em ver o seu anjo.

– Todos os procedimentos médicos já foram tomados. Gostaríamos de pedir o maior cuidado possível... – Dizia a enfermeira enquanto Marcos não ouvia/entendia nada. –... Do senhor. O quarto 342 fica no final desse corredor e se houver qualquer problema o botão vermelho deve ser acionado. – Enquanto ela continuava falando, Marcos começou a correr e correr muito. Olhava para todos os números que encontrava enquanto a enfermeira tentava lhe acompanhar com uma corrida dez vezes mais lenta. De repente parou, voltou três passos e lá estava. Quarto 342.

A primeira expressão, espanto. Logo em seguida o medo e decepção. Para finalizar, a culpa persistia. Tudo isso se passou em cinco segundos de pura aflição. Mas logo depois a vontade de se aproximar apareceu. As lágrimas desciam rápidas, enquanto sentava no banquinho próximo à mesa. Beijava incansavelmente a sua mão direita enquanto pedia desculpas. Paula ainda estava desacordada, os medicamentos fizeram sua parte.

A enfermeira, finalmente chegara no quarto 342, nem sequer abriu a porta. Ficou emocionada com o status de Marcos. Era evidente que ele estava arrasado. Observou durante alguns minutos pelo vidro da porta enquanto pensava como seria bom ter uma pessoa que se desesperasse por você. Enxugou as lágrimas e deu de costas. Tinha alguns trabalhos a fazer.

O tempo passava e Marcos só conseguia se sentir culpado. Já havia pedido inúmeras vezes desculpas mesmo sabendo que é completamente inútil sem que a sua bailarina o escute. Volta e meia algum enfermeiro dava uma olhada pela janela e todas as vezes eles se emocionavam. O desespero estava explícito em cada gesto de Marcos, desde o olhar até as pernas tremendo. Mas, ainda assim, ele era romântico e extremamente cuidadoso.

Depois de ter passado mais de cinco horas ao lado da dançarina o anjo ainda não havia dormido, um enfermeiro chegou a entrar no quarto para lhe oferecer um calmante ou até mesmo um remédio para dormir. Mas Marcos recusou delicadamente, afirmando que já tinha errado uma vez, e que não vai errar de novo. O enfermeiro sem ter o que dizer se retirou.

O quarto era sofisticado, com televisão a cabo. Os equipamentos todos impecáveis e tão brancos que a luz refletia basicamente por completo. A cama subia, descia e era exageradamente confortável. Tudo muito agradável, mesmo sendo um hospital, e Marcos não reparou nada de tudo isso. Pouco importava o resto do mundo agora, sua vida estava única e exclusivamente direcionada para Paula. Cada lágrima que saía arrastava consigo uma fração da culpa, mas ainda assim, ela só aumentava.

Ainda cabisbaixo, beijando as mãos e o braço da bailarina os efeitos dos remédios começam a se esvair. Seus olhos lentamente começam a se abrir, e ainda com os olhos semicerrados ela reconhece seu protetor:

– O que aconteceu, amor?! – Disse com muita dificuldade enquanto Marcos se emocionara com o fato de ter despertado.

Meu amor... – As lágrimas estavam com uma velocidade indescritível. E mesmo ele sabendo antes que ela iria acordar a alegria só começara a chegar agora. – Não se esforce. Os médicos pediram que você repousasse por completo. – Agora a culpa já voltava a pesar. E as desculpas antes proferidas, vão se repetir. – Eu só quero que você me desculpe, talvez se eu não tivesse revidado. Se eu fosse um pouco mais paciente. Se eu conseguisse me conter. Nada disso teria acontecido. Foi minha culpa, eu sei que foi. Pode me culpar...

Sua fala fora interrompida pelo dedo da bailarina no meio dos seus lábios. Enquanto Marcos falava a sua memória estava agindo, processando. Ela só se lembrara que estava imóvel enquanto o seu anjo e seu... Pai – como era difícil pensar nessa palavra, pensou consigo mesma – brigavam. Depois disso a última lembrança era essa de agora.

– Eu.. – Pausou e pediu com o dedo indicador que Marcos encostasse-se ao seu rosto. – Te... – Beijou-o levemente na bochecha enquanto as lágrimas de ambos, agora, se chocavam. – Amo. – Essa última ela sussurrou em seu ouvido enquanto o anjo se arrepiava por completo. Depois disso os dois se olharam por alguns minutos. Os olhos se encaixavam. De um lado a culpa completa, total. Do outro a vontade de que essa culpa não existisse. Os dois eram tão perfeitos para o outro que espantava.

– Eu te amo. Mais do que podemos compreender. – E mais beijos na mão e no braço. Só que agora a bailarina ria das cócegas que provocava a barba do seu protetor. Ainda assim Marcos não se esquecera de nada, nem da culpa e nem da conseqüência do golpe. Mas achava melhor não falar nada agora. O médico não deu certeza quanto à isso, melhor esperar uma resposta concreta. Enquanto isso resolveu que só lembraria-se da alegria que ela lhe causa, a paz de espírito que lhe dá.

Um dos enfermeiros que passavam pelo corredor percebeu que Paula tinha acordado e adentrou-se no quarto. Entrou tão silenciosamente que só a bailarina tinha percebido a sua entrada devido à cama ser virada para porta. Enquanto isso Marcos continuava a beijando e o empregado do hospital não queria acabar com o momento. A dançarina sorriu e então falou:

– Amor, acho que ele precisa falar comigo. – apontou para o enfermeiro e todos os três riram. Marcos se desculpou com o rapaz e pediu que falasse o que era necessário agora.

– Precisamos dar um banho na paciente, fazer uns testes de rotina, checar o gesso e aí então podemos liberá-la ou mantê-la por mais algum tempo no hospital. – Enquanto isso os outros dois confirmavam com a cabeça tudo que o rapaz havia dito. – É tudo muito tranqüilo, mas pedimos ao senhor que espere lá fora. Procedimentos padrões. Vou deixar se despedirem, afinal vai ser muito tempo longe um do outro... – Todos riram novamente e após a confirmação de Marcos e da bailarina ele se retirou, muito educadamente por sinal.

– Amor, tudo vai ser muito rápido e tranqüilo. Em breve estaremos juntos. – Disse o anjo. Tudo era muito intenso entre os dois, desde a troca de olhares até o toque. – Eu te amo. Não se preocupe. – Mais dezenas de beijo ocorreram. Ele era, realmente, muito cuidadoso com sua dançarina.

– Eu vou ficar bem. Reze por mim... – O silêncio tomou conta da sala. Logo os médicos e enfermeiros chegariam, o casal estava apenas se namorando, como sempre fazem. O mais intrigante para os “assistentes” do hospital e o que todos eles comentavam é que não existiu beijo entre os dois, mas que ainda assim era o casal mais apaixonado que já tinham visto. – Eu te amo. – Agora um último beijo na testa foi dado por Marcos enquanto as mãos direita de ambos se entrelaçavam. Olhos fixos, uns nos outros.

A equipe médica então chegou. Todos cumprimentaram o anjo enquanto ele não tirava o olho da bailarina. Era muito forte, perceptível a todos. O amor, literalmente, estava no ar. Houve uma última troca de “Eu te amo” sussurrado entre o casal e então Marcos deixou a sala.

Os médicos eram muito cuidadosos e atenciosos com Paula. Os procedimentos padrões demorariam pouco mais de duas horas, foi o que informaram a ela. A bailarina então chamou uma enfermeira simpática, que estava na sala, e pediu educadamente que desse um recado ao anjo:

– Por favor, você pode avisar ao rapaz que estava comigo que eu imploro que ele durma? Ele ficou durante todo o tempo aqui comigo e não acredito que tenha descansado. Ele deve estar exausto, diga que eu pedi. Poderia fazer isso por mim? – Enquanto falava sobre o anjo os olhos brilhavam e a enfermeira percebia isso, qualquer pessoa saberia, na verdade.

– Posso sim. E, cá pra nós. Eu acho lindo vocês dois. É tudo tão romântico e sutil. – A bailarina consentiu com a cabeça e um obrigado meio que sussurrado saiu de sua boca. - Irei à recepção assim que possível.

Os procedimentos iriam começar. Dois enfermeiros suportavam a dançarina com os ombros enquanto guiavam-na à sala. A ajudante de Paula logo se virou para a recepção com um passo apressado. Tinha que voltar logo, ela era fundamental na hora dos exames.

Mas o passo apressado nem foi necessário, Marcos estava logo ali. Ela o reconheceu depois de forçar um pouco a vista. Seus passos eram lentos e próprios de quem estava arrasado. Logo depois de tê-lo acompanhado falou delicadamente:

– A moça que estava no quarto me pediu... – Ele parou, olhou para ela e a tristeza ficou evidente a ponto da enfermeira se assustar. –... Que o senhor melhorasse. Disse que está tudo bem e que você precisa dormir. Por favor, ouça à sua esposa. – Ela ainda continuava assustada, mas não a ponto de tornar perceptível. Já estava meio que acostumada, infelizmente, a dar notícias tristes. Ainda assim, essa era uma das tristezas mais profundas que havia visto, aparentemente.

– Obrigado. Diga a ela que eu já estou melhor que antes e que vou tentar dormir, por favor. – Ela apenas consentiu e se virou pensando: “Se agora ele está, realmente, melhor que antes... Não tenho capacidade de imaginar como estava.”

Enquanto isso, Marcos se dirigia lentamente para a recepção. Tomou um copo de água quando passou pelo bebedouro e sentou-se na mesma cadeira de antes. A culpa voltou e a dor também. Era realmente indescritível o que ele estava passando. Sentia-se vazio e completamente responsável por isso. De repente, antes que pudesse fechar os olhos para atender ao pedido de Paula, seu telefone toca. Lúcio CHEFE. O visor indicava quem era, mas porque ele ligaria uma hora dessas da noite?!

– Diga Lúcio. – A voz completamente abatida também se evidenciava. – Lembro sim, o que houve?! Algum problema? – Realmente não era o que o anjo queria agora. –... – As palavras sumiram por completo. A sua expressão de angústia se intensificou. Enquanto isso o telefone continuava falando sozinho, até cair no chão...

sábado, 24 de julho de 2010

Noche


La oscuridad de la noche tiende a persistir.
Tiende a quedarse.
Recuerdo nuestros abrazos,
De nuestros besos.
Me entrego en tus brazos,
Darse cuenta de todos sus deseos.
Cada noche nos son así
Tú, yo y la intensidad,
En una mezcla de sentimientos con el fin
Para aclarar nuestra voluntad.
Aumenta el deseo,
Se reduce, la velocidad de reloj.
Pero mira tú,
En mis sueños
Para reforzar lo que ya sé,
Vive con usted es mejor que soñar.
Mientras tanto la noche se incrementa,
Y con su oscuridad,
Se van los deseos de mi e de tu corazón.

domingo, 18 de julho de 2010

Over

O que me mata,
É saber que você não se importa.
E o que mais me atinge,
É que meus tiros não te alcançam.

O céu não mais meu limite é.
A força do amor que tínhamos se acabou,
E a esperança que restou,
Se foi junto com a fé.

Correr em direções opostas,
Repetir os gestos mais errados,
Omitir quaisquer que sejam as respostas.
Permanecer juntos e calados.

Tudo que se tinha,
Não se tem mais.
Não é hora de perder a linha,
E já é muito tarde para reestabelecer a paz.

Tudo que se passou morreu,
E sempre vais achar que foi engano meu.
Ainda assim, tudo que temos agora,
É muito mais do que tínhamos outrora.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Hipótese


Em toda e qualquer hipótese,
Independente da distância e forma,
Do beijo e do abraço,

Amar intensamente é a melhor forma de viver.

Mesmo que para viver assim se tenha que sofrer.
Ouso até em substuir o sofrer por morrer.

Ps: De férias!

domingo, 11 de julho de 2010

Estranho


O que acontece apenas acontece,
Quanto tu não estás.

O beijo não é mais que um toque de lábios,
Quando não são os nossos.

O toque é só um contato,
Quando estou longe de ti.

A vida não é vida,
Quando não vivemos juntos.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Partida


Partir é sempre triste,
A maior tristeza que existe.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Saudades da namorada



E tudo me leva àquele último beijo. Tudo me faz crer que eu deveria te ter comigo agora, sempre. Escuto uma música romântica de fim de tarde que me faz lembrar nossas conversas. Enxergo o teu rosto no rosto das outras. Consigo tocar em você quando fecho os olhos, mas cada vez mais eu sei que a saudade aumenta. Sei que sufoca minha respiração a cada segundo, e que um segundo é muito tempo pra que se passe um filme de tudo que já se passou entre nós. Esse filme se repete muitas vezes, e o replay é só o que vem na cabeça. Tô com saudade de você. Tô com saudade do seu beijo. Não é bom estar sem você. Quando seu mundo der uma pausa, vem logo pro nosso.

sábado, 3 de julho de 2010

Amigo Imaginário



Conversar com quem não se vê,
É enxergar a própria consciência.


Ps¹: Com exceção de qualquer intervenção divina, e sim eu sou ateu.
Ps²: Obrigado Maíra, pela correção.


quarta-feira, 30 de junho de 2010

Receita


Vamos fazer o que não se pode.
Rir do que não se deve.

Chorar pelo que não se crê.
Rezar pelo que não se vê.

Cantar por motivo inexistente.
Rir por felicidade evidente.

Viver o seu jeito de ser.
Ser feliz sem saber.

Gritar em lugar fechado.
Ser feliz mesmo estando parado.

Beijar até o amanhecer.
Fazer amor até morrer.

Cada um com sua filosofia,
Desde que seja a SUA receita de alegria.

domingo, 27 de junho de 2010

Vida Ideal

Eu tenho um costume de fazer músicas, e me divirto muito com isso. Não é nada profissional. A gravação só tem voz. Eu não sei cantar. O microfone é totalmente inapropriado. Programa de edição idem. Espero que se divirtam, porque eu estou me divertindo. Até mais e boa leitura.

Quero a vida como deveria ser,
O mundo todo para eu e você.
Qualquer aventura seria pouco,
Amor é coisa de louco,
Meu bem, vamos curtir juntos esse sufoco.
Perder o fôlego e ficar rouco.
Fazer amor até o amanhecer,
Saber que o nós nunca vai morrer,
Falar besteira sem saber porquê,
Rir a noite inteira sem querer.
O amor é mesmo uma coisa de louco,
Faz com que toda aventura pareça pouco.
É uma loucura ver você sofrer,
Impossível viver sem você.
Vem pra mim e não me deixa ter saudade,
Não existe coisa pior do que passar vontade.
É só teu beijo que eu quero ter,
Viver, viver com você.
Nem é pedir tanto pra felicidade.
Sabendo que tudo isso é verdade.
Me contento em ver você sorrir,
Eu sou feliz quando te tenho aqui.
Nada melhor do que ser assim,
Eu pra você.
Você pra mim.

video

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Choro


Rir não adianta nada,
Quando chorar é inevitável.
A lágrima sufoca a alma,
E a consciência desativa o corpo.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Novo


Tudo sem expectativa. Tudo sem conhecimento prévio. Tudo sem verdades absolutas, Tudo sem garantia de sucesso. Tudo sem graça. Tudo sem sorrisos novos. Tudo sem vontade alguma. Tudo sem companhia fiel. Tudo sem um pouco de confiança, sequer. Tudo novo, Pela primeira vez. Estranho encarar o desconhecido, E, pior, ter que vencer a nova etapa. Mas a vida é feita em ciclos. Insuportaveis as vezes, mas necessários com certeza. Força para encarar a vida. Força para viver bem. Caso contrário, não tem graça. C'est la vie.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Inexplicabilidade


O inexplicável é tão belo...
Não é preciso palavras para descrever.
Não existem razões para sofrer.

Chega a ser insano, singelo.

A gente apenas vive sem explicação.

Tudo que mais se assimila ao coração...

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Todos somos poetas


Dizem que o poeta é quem faz poesia,
Mas todos nós a construímos todo dia.

O poeta é quem orienta a palavra,
Quem guia os sentimentos.

Mas todos os dias a nossa língua trava,
Passamos por vários momentos.

Erguemos muros sentimentais,
E perfuramos vidros blindados para se sentir iguais.

Levantamos pontes abstratas
Só para manter as relações, um pouco, mais sensatas.

Elogiamos a natureza,
Ainda que calados, pela tua beleza.

Vemos sorrisos no rosto de alguém,
E nos sentimos feliz também.

Sentimos amor a cada segundo,
Por mais que doa em outra pessoa no mundo.

Deixamos o ódio de lado,
E o amor cada vez menos calado.

Esquecemos do despertador,
Para que ele desperte alegria.

Conversamos no elevador,
A qualquer hora do dia.

Cantamos a música,
Independente de qual for.

Choramos de raiva,
De alegria, de amor...

Tudo isso que contagia
Nada mais é que a verdadeira poesia...

E a poesia,
É o dia-a-dia.

sábado, 29 de maio de 2010

Real life


E o que acontece,
Quase nunca é o que a gente quer.

Uma compensação de ânimo, às vezes,
Podem ocorrer.

Mas o medo de estar sempre errado,
Consiste em nós, calado.

É a vida real,
Nada muito apreciável.

Nunca nada é igual,
E sempre as quedas são, por demais, palpável.

E ainda assim, temos uma razão para viver sorrindo,
Rir até mesmo caindo.